Análise completa — Compete Minas e o Simulador Tributário

Chamada: FAPEMIG/SEDE nº 011/2026 — COMPETE MINAS
Objeto da análise: possibilidade de inscrição e identificação das inovações
Projeto analisado: Simulador Tributário / Calculadora da Reforma (CBS/IBS a partir de SPED)
Data: 23/07/2026
Prazo de submissão da chamada: 30/07/2026
Tipo de documento: parecer técnico-estratégico para apresentação à Diretoria
Decisão solicitada: aprovar (ou não) a submissão da proposta até 30/07/2026


Sumário


Seção A — Sumário executivo para a Diretoria

A.1 A oportunidade em uma página

A FAPEMIG, via Compete Minas (Chamada 011/2026), oferece R$ 50 milhões em recursos não reembolsáveis (subvenção — não é empréstimo, não se devolve) para projetos de inovação tecnológica de empresas mineiras. A empresa pode pleitear entre R$ 200 mil e R$ 4 milhões, conforme a linha e o porte, mediante uma contrapartida (recurso próprio) que varia de 15% a 100% do valor solicitado.

Temos um ativo real: a plataforma Simulador Tributário / Calculadora da Reforma (CBS/IBS), já em estágio de protótipo funcional (TRL 5–6). O edital financia o aperfeiçoamento dessa solução — exatamente o que precisamos fazer nos próximos 2 anos (IA, validação, aprofundamento do motor da reforma).

A.2 Recomendação

Recomenda-se SUBMETER a proposta, enquadrada como projeto de P&D (TIC + Inteligência Artificial) para elevar a maturidade tecnológica da plataforma de TRL 5–6 para 7–8, com validação em piloto com empresas/escritórios de Minas Gerais.

Condição crítica: a empresa proponente precisa ter sede ou filial em Minas Gerais, criada antes de 13/06/2026. Se isso não estiver resolvido, nada mais avança.

A.3 Números-chave para decisão

Item Valor / condição
Recurso não reembolsável (Linha II – Empresarial, Cat. I) até R$ 200 mil
Recurso não reembolsável (Linha I – Tríplice Hélice, Cat. I) até R$ 500 mil
Contrapartida mínima (Cat. I) 15% (Linha I) / 20% (Linha II)
Prazo de execução do projeto 18 a 36 meses
Submissão até 30/07/2026 (Sistema Everest)
Resultado previsto 20/10/2026
Liberação do recurso em 2 parcelas, condicionada ao depósito proporcional da contrapartida
Bônus (Cat. I) Bolsa Sócio-Empreendedor: R$ 6,5 mil/mês por até 6 meses (50 melhores projetos)

A.4 O que estamos pedindo à Diretoria decidir

  1. Autorizar a inscrição na Chamada 011/2026.
  2. Escolher a linha: I (com universidade/ICT-MG) ou II (empresarial pura).
  3. Aprovar a contrapartida correspondente ao porte da empresa.
  4. Designar o coordenador e liberar tempo da equipe técnica.
  5. Validar a elegibilidade jurídica (sede/filial MG, regularidade fiscal).

A.5 Por que vale a pena (visão de negócio)

A.6 Principais riscos (resumo)

Risco Gravidade Como tratamos
Empresa sem sede/filial MG elegível Bloqueante Verificar imediatamente antes de qualquer esforço
Proposta parecer “produto pronto” (sem P&D) Alta Enquadrar como evolução TRL + IA + validação
Contrapartida comprometer caixa Média Dimensionar categoria e usar contrapartida econômica (horas/infra)
Prazo curto até 30/07 Média Aproveitar rascunho já pronto; foco esta semana

Seção B — Análise financeira

B.1 Como funciona o dinheiro do Compete Minas

B.2 Tabela de valores por Linha e Categoria (faturamento anual)

Linha I – Tríplice Hélice (com ICT-MG parceira):

Categoria Faturamento anual Valor máximo FAPEMIG Contrapartida
I até R$ 4,8 mi R$ 500.000 15%
II R$ 4,8 mi – 16 mi R$ 1.000.000 50%
III R$ 16 mi – 90 mi R$ 2.000.000 100%
IV R$ 90 mi – 300 mi R$ 4.000.000 100%
V acima de R$ 300 mi R$ 4.000.000 100%

Linha II – Empresarial (sem exigência de ICT):

Categoria Faturamento anual Valor máximo FAPEMIG Contrapartida
I até R$ 4,8 mi R$ 200.000 20%
II R$ 4,8 mi – 16 mi R$ 500.000 50%
III R$ 16 mi – 90 mi R$ 1.000.000 100%
IV R$ 90 mi – 300 mi R$ 3.500.000 100%
V acima de R$ 300 mi R$ 3.500.000 100%

Ação da Diretoria: identificar em qual categoria de faturamento a empresa se enquadra — isso define o teto e a contrapartida.

B.3 Simulação de aporte por cenário (ilustrativa)

Exemplos de quanto a empresa precisaria aportar (contrapartida) para acessar o recurso:

Cenário Recurso FAPEMIG Contrapartida Aporte próprio Orçamento total do projeto
Linha II, Cat. I (menor porte) R$ 200.000 20% R$ 40.000 R$ 240.000
Linha I, Cat. I (com ICT) R$ 500.000 15% R$ 75.000 R$ 575.000
Linha II, Cat. II R$ 500.000 50% R$ 250.000 R$ 750.000
Linha I, Cat. II R$ 1.000.000 50% R$ 500.000 R$ 1.500.000

Leitura de negócio: no menor cenário (Cat. I), com R$ 40 mil–75 mil de aporte a empresa habilita R$ 200 mil–500 mil de P&D. A contrapartida pode ser parcialmente econômica (horas da equipe própria, infraestrutura já existente), reduzindo o desembolso em caixa.

B.4 O que o recurso pode financiar (rubricas elegíveis)

B.5 O que a contrapartida pode (e não pode) incluir

B.6 Racional de retorno (por que faz sentido financeiramente)

Dimensão Sem o edital Com o edital
Custo do roadmap de IA/validação 100% bancado pela empresa Parcela relevante subvencionada
Risco financeiro do P&D Todo da empresa Compartilhado (recurso não reembolsável)
Velocidade de evolução Limitada pelo caixa Acelerada
Ativos gerados Software Software + PI + metodologia + selo FAPEMIG
Posição de mercado Reativa Antecipada à demanda da reforma

Seção C — Mercado e urgência estratégica

C.1 Tamanho e natureza do problema

A Reforma Tributária (EC 132/2023 + LC 214/2025) é a maior mudança tributária em décadas e afeta todas as empresas que apuram PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI. A transição CBS/IBS ocorre de 2026 a 2033 — um período longo em que empresas e escritórios precisarão estimar impacto, reprecificar e planejar repetidamente.

C.2 Público e dor

Público Dor específica O que a plataforma resolve
Escritórios contábeis Precisam atender muitos clientes na transição, sem ferramenta confiável Industrializa a simulação a partir do SPED
Empresas (agro/indústria) Não sabem o impacto real da reforma no seu caixa Projeção CBS/IBS com dados próprios
Grupos multi-filial Consolidação complexa por CNPJ/UF Consolidado de grupo já implementado

C.3 Janela competitiva (por que agora)

C.4 Vantagem competitiva sustentável

  1. Dados + método (SPED + transição LC 214) difíceis de replicar rapidamente.
  2. Prontidão fiscal como diferencial de confiança (raro no mercado).
  3. IA proprietária treinada em dados fiscais reais (após o projeto).
  4. PI registrada e metodologia documentada.

Seção D — Plano de execução (visão para a Diretoria)

D.1 Estrutura do projeto (24 meses sugeridos)

Pacote de trabalho Objetivo Entregável para a Diretoria
WP1 — Motor normativo v2 Regras CBS/IBS auditáveis, atualizáveis sem reprogramar Plataforma resiliente a mudanças da lei
WP2 — Qualidade & prontidão Ampliar regras e confiabilidade Menos retrabalho, mais confiança
WP3 — IA assistida Classificação/priorização com IA + revisão humana Diferencial tecnológico central
WP4 — IBS avançado & créditos Refino municipal/UF e créditos Precisão maior para clientes
WP5 — Piloto MG Validar com empresas/escritórios reais Prova de valor + métricas
WP6 — PI, metodologia e difusão Registro de software, manual, pitch Ativos protegidos + marketing

D.2 Evolução de maturidade (TRL)

Momento TRL Significado prático
Início 5–6 Protótipo funcional com dados reais
Fim 7–8 Sistema validado em operação real (piloto), pronto para escalar comercialmente

D.3 Cronograma macro (marcos)

Fase Meses Marco
Fundação 1–3 Arquitetura de P&D + baseline documentado
Núcleo 3–10 Motor normativo v2 + prontidão avançada
Inteligência 8–16 IA assistida v1 com acurácia medida
Aprofundamento 10–18 IBS municipal/UF + créditos no piloto
Validação 14–22 Piloto operacional com indicadores
Fechamento 20–24 PI, metodologia, relatório final, pitch FAPEMIG

D.4 Recursos e comprometimento da empresa

Recurso Papel no projeto
Coordenador (empresa) Obrigatório; gestão e interface FAPEMIG
Dev(s) sênior Laravel Motor normativo, plataforma
Cientista de dados / IA Módulo de IA assistida
Especialista tributário Validação das regras (LC 214)
(Linha I) Subcoordenador ICT-MG Rigor científico e experimentos
Infraestrutura cloud Ambiente de treino/validação

D.5 Produtos pactuados (entregáveis oficiais)

Release piloto da plataforma; manual técnico-metodológico; dataset anonimizado de validação; relatório de piloto MG; registro/pedido de PI; artigo ou nota técnica; pitch de resultados.


Seção E — Matriz de decisão (go / no-go)

E.1 Critérios objetivos

Critério Situação necessária Status (preencher)
Sede/filial em MG (antes de 13/06/2026) Obrigatório [ ] Confirmar
Regularidade fiscal/jurídica Obrigatório [ ] Confirmar
Categoria de faturamento definida Necessário para orçamento [ ] Definir
Capacidade de contrapartida Aprovada pela Diretoria [ ] Aprovar
Coordenador designado Necessário [ ] Designar
Decisão Linha I ou II Necessário [ ] Decidir
(Se Linha I) ICT-MG contatada Desejável até 30/07 [ ] Contatar

E.2 Regra de decisão sugerida

E.3 Ações desta semana (até 30/07/2026)

  1. Hoje: validar elegibilidade MG e categoria de faturamento.
  2. Dia 1–2: decidir Linha I/II e, se Linha I, contatar universidade/ICT (UFMG, UFJF, UFU, UFOP, IFMG, CEFET-MG etc.).
  3. Dia 2–3: aprovar contrapartida e designar coordenador.
  4. Dia 3–5: preencher o Everest usando o rascunho já elaborado (COMPETE-MINAS-PROPOSTA-RASCUNHO).
  5. Antes de 30/07: revisar, anexar documentos e submeter.

0. Síntese estratégica (com validação)

Esta seção consolida a leitura estratégica da inscrição e valida cada afirmação contra o edital da Chamada 011/2026 e contra o código do projeto.

0.1 Posição-resumo

Sim — dá para justificar a inscrição, mas não como “produto pronto”: como projeto de P&D de software (TIC) com inovação de produto/processo. Prazo: 30/07/2026.

# Afirmação da síntese Validação Fonte / evidência
1 Prazo de submissão 30/07/2026 ✅ Confirmado Chamada FAPEMIG/SEDE 011/2026 (Everest)
2 Não vale como “produto pronto”; vale como P&D/aperfeiçoamento ✅ Confirmado Edital exige “projeto de desenvolvimento tecnológico… criação ou aperfeiçoamento”
3 Enquadra como inovação de produto/processo em TIC ✅ Confirmado Área prioritária TIC; natureza do software

0.2 O que o Compete Minas exige — validação

Exigência citada Validação Observação
Desenvolvimento tecnológico com diferenciação além de melhoria trivial ✅ Confirmado Requisito textual: “inovações que transcendam melhorias triviais”
Impacto/competitividade em MG ✅ Confirmado Objetivo da chamada: “fortalecer a competitividade do setor produtivo mineiro”
Proposta original (não financiada integralmente no mesmo escopo) ✅ Confirmado Requisito de originalidade e escopo/metas/entregas distintas
TIC e IA com bônus ⚠️ Parcialmente TIC (com IA) é área prioritária; priorização pontua, mas é “não obrigatória” — é diferencial, não pré-requisito

0.3 O que já é inovador no projeto — validação

Diferencial real: não é “calcular alíquota”, é um pipeline consultivo que poucas soluções genéricas fazem bem em conjunto.

Elemento inovador citado Validação Evidência no código
Ingestão automática de SPED real → simulação (não totais manuais) ✅ Confirmado SpedTxtParser, SpedExcelParser, SpedImportProcessor, SimulacaoFromSpedService
Transição CBS/IBS (LC 214) ano a ano com legado residual ✅ Confirmado ReformaCalculoService, ReformaTransicaoService, config/reforma_tributaria.php (2026–2033)
Classificação por CFOP/CST/origem (com lógica agro) ✅ Confirmado ProdutoOrigemClassifier (CFOPs 1551/1556 etc.)
Prontidão/confronto — pendências tipadas, score, bloqueio ✅ Confirmado ConfrontoService, ConfrontoRegrasCatalog, ProntidaoService, ConfiabilidadeService
Governança — multi-tenant, multi-filial, versões, auditoria, de-para ✅ Confirmado SimulacaoConsolidacaoService, SimulacaoVersaoService, AuditoriaService, MapaDeparaResolver

Enquadramento: inovação de serviço/processo em software tributário, alinhada a TIC e ao setor produtivo (escritórios + empresas do agro em MG). ✅ Consistente.

0.4 O que não vende sozinho — validação

Ressalva citada Validação Observação
Não há IA/ML hoje — só regras fiscais + engenharia de dados ✅ Confirmado Nenhuma integração de IA/ML em app/; classificação é determinística (CFOP/CST)
Inscrever o MVP “como está” soa fraco ✅ Confirmado Compete financia aperfeiçoamento/desenvolvimento, não operação comercial
Precisa empresa/cooperativa com sede ou filial em MG, criada antes de 13/06/2026 ✅ Confirmado Regra de elegibilidade da chamada

0.5 Como fortalecer a inscrição — validação das frentes

Frente proposta Conta como inovação? Validação
IA para classificação fiscal / NCM / origem a partir do SPED ✅ Sim Entra em TIC+IA (prioritária); eleva o nível tecnológico
Motor normativo parametrizável (atualizar LC/alíquotas sem redeploy) ✅ Sim Diferenciação tecnológica vs. planilha/consultoria manual
Validação científica/metodológica com ICT-MG ✅ Sim Combina Contabilidade + Direito Tributário + Ciência da Computação; pontua na Linha Tríplice Hélice
Impacto em MG ✅ Sim Produtividade de escritórios e empresas mineiras na transição 2026–2033
Benchmark + propriedade intelectual ✅ Sim Evidência de diferenciação e proteção (software/método)

0.6 Nota de correção terminológica (Linha A/B → Linha I/II)

A comunicação de imprensa da FAPEMIG citou “Linha A (Tríplice Hélice)” e “Linha B (Empresarial)”. O texto oficial da Chamada 011/2026 usa “Linha I – Tríplice Hélice” e “Linha II – Empresarial”. São equivalentes; ao preencher o Everest, usar Linha I / Linha II.

0.7 Veredito consolidado (validado)

Pergunta Resposta Validação
Há inovação relevante hoje? Sim, moderada–alta no domínio (SPED → reforma + prontidão), não “disruptiva de laboratório” ✅ Coerente com o código
Dá para justificar Compete Minas? Sim, se a proposta for o desenvolvimento/aperfeiçoamento da solução (não “já usamos o sistema”) ✅ Coerente com o edital
Risco principal? Parecer “software comercial comum” sem R&D, IA, validação ou impacto explícito em MG ✅ Risco real; mitigável

Conclusão da validação: todas as afirmações da síntese são consistentes com o edital e com o código, com um ajuste (nomenclatura Linha I/II) e uma nuance (TIC/IA pontua como prioridade, mas não é obrigatória).


1. Veredito executivo

É possível e recomendável inscrever, desde que a proposta seja apresentada como projeto de desenvolvimento tecnológico / PD&I (aperfeiçoamento de produto inovador), e não como “software já pronto para vender”.

Pergunta Resposta
Há inovação relevante no projeto? Sim — inovação de produto/serviço em TIC, com diferenciação tecnológica e mercadológica acima de melhoria trivial
A inovação atual basta sozinha? Parcialmente — o núcleo já diferencia; falta reforçar o “R” de PD&I (IA, validação científica, elevação de TRL)
Qual a melhor narrativa? Elevação de maturidade tecnológica TRL 5–6 → 7–8 de uma plataforma consultiva SPED → CBS/IBS
Linha sugerida Linha I (Tríplice Hélice) se houver ICT-MG; senão Linha II (Empresarial) com metas claras de P&D
Área prioritária TIC (com componente de inteligência artificial)
Risco principal de indeferimento/baixa nota Parecer “ERP/SaaS comercial comum” sem escopo novo de desenvolvimento

Conclusão em uma frase: o projeto tem base inovadora real; a inscrição se justifica melhor como pacote de inovações atuais + inovações a desenvolver no horizonte 18–36 meses.


2. O que é o Compete Minas (critérios que importam)

A chamada financia projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico de empresas/cooperativas com sede ou filial em Minas Gerais, com ou sem ICT-MG.

2.1 Requisitos centrais (filtro de elegibilidade conceitual)

  1. Caracterizar-se como desenvolvimento tecnológico (criação ou aperfeiçoamento de produto/serviço/processo inovador).
  2. Demonstrar diferenciação tecnológica ou mercadológica relevante (além de melhoria trivial).
  3. Evidenciar potencial de impacto econômico em Minas Gerais.
  4. Ser original (não financiamento integral prévio do mesmo escopo/metas/entregas).
  5. Prazo de execução entre 18 e 36 meses.

2.2 O que a banca valoriza

2.3 Condicionantes práticas


3. O que o projeto é hoje (baseline técnico)

3.1 Propósito

SaaS multi-tenant para simular impacto tributário — regime atual versus Reforma Tributária (CBS + IBS) — a partir de dados reais de SPED, com posicionamento consultivo para escritórios contábeis (foco agro / multi-filial).

Base normativa: EC 132/2023 · LC 214/2025 · cronograma 2026–2033.

3.2 O que o produto declara não ser

3.3 Arquitetura e módulos relevantes

Camada Conteúdo
Stack PHP 8.3, Laravel, Livewire, multi-tenant, papéis/permissões
Ingestão Parsers SPED TXT/Excel; registro 0200; itens A/C/D; import em lote
Reforma Cálculo atual × CBS/IBS; transição ano a ano; cenários editáveis
Qualidade Confronto de pendências; score de prontidão; confiabilidade; bloqueio
Governança Versionamento; auditoria; de-para; relatórios executivos
Integrações Consulta cadastral (ex.: Brasil API / Simples)

3.4 Maturidade estimada (TRL)

Nível Estimativa Motivo
TRL atual 5–6 Componentes integrados; processa SPED real; gera comparativo reforma; ainda sem validação ampla de mercado nem IA
TRL alvo (proposta) 7–8 Demonstração em piloto operacional MG + qualificação do sistema

4. Análise de elegibilidade: pode inscrever?

4.1 Checklist de elegibilidade conceitual

Critério Compete Minas Atende? Comentário
Desenvolvimento tecnológico (não só operação) Condicional Atende se o plano de trabalho trouxer escopo novo de PD&I
Diferenciação além do trivial Sim Pipeline SPED + prontidão + transição LC 214 não é planilha comum
Impacto em MG Sim, se narrado Escritórios/empresas mineiras; janela 2026–2033; agro/indústria
Originalidade Provável Solução própria; confirmar que não houve fomento idêntico anterior
TIC / área prioritária Sim Enquadra em TIC; pode somar IA no escopo a desenvolver
Sede/filial MG A confirmar Pré-requisito formal da empresa proponente

4.2 Cenários de inscrição

Cenário Viabilidade Nota esperada (ordem de grandeza) Observação
A) Inscrever só o MVP atual “como está” Fraca Baixa–média Risco de parecer produto comercial sem P&D
B) Inscrever evolução PD&I (IA + validação + motor normativo) sobre o MVP Forte Média–alta Cenário recomendado
C) Linha I com ICT-MG (tributário + computação/IA) Mais forte Mais alta Melhor enquadramento científico e valores

4.3 Resposta direta

Sim, há possibilidade concreta de inscrição — e ela é tecnicamente defensável — desde que:

  1. A empresa seja elegível em MG;
  2. O objeto seja o aperfeiçoamento inovador (elevação de TRL);
  3. As inovações estejam explícitas (atuais + a desenvolver);
  4. Haja metas, etapas, indicadores e produtos pactuados de PD&I.

5. Quais são as inovações? (mapa completo)

A análise separa três camadas: (A) inovações já presentes, (B) inovações potenciais a financiar, (C) o que não deve ser vendido como inovação.

5.1 Inovações já presentes no projeto (baseline)

Inovação 1 — Simulação da Reforma a partir de SPED operacional

Tipo: inovação de produto/processo em software
O que é: em vez de o usuário digitar totais ou premissas genéricas, o sistema importa SPED (blocos A, C, D + 0200) e reconstrói a base de análise a partir das operações reais.
Por que importa: reduz subjetividade e aproxima a simulação da realidade fiscal da empresa.
Grau de novidade: médio–alto no mercado consultivo brasileiro (ainda raro em combinação completa).
Evidência técnica: parsers SPED, SimulacaoFromSpedService, SpedImportProcessor, modelos de itens/0200.

Inovação 2 — Motor de transição CBS/IBS com legado residual (LC 214)

Tipo: inovação de método / produto
O que é: comparativo regime atual × reforma com cronograma 2026–2033, alíquotas parametrizadas e coexistência do legado (PIS/COFINS/ICMS/ISS/IPI) conforme a fase.
Por que importa: a dificuldade da reforma não é “uma alíquota”; é a trajetória de transição.
Grau de novidade: médio–alto (domínio regulatório recente e complexo).
Evidência técnica: ReformaCalculoService, ReformaTransicaoService, config/reforma_tributaria.php, cenários editáveis.

Inovação 3 — Classificação operacional de origem (CFOP/CST/bloco, com lógica agro)

Tipo: inovação de processo analítico
O que é: classificação de operações/produtos em categorias (produção própria, nacional, importado, exportação, serviço, indefinido) com regras de CFOP/CST — inclusive CFOPs típicos de agro — sem depender de “chute” por NCM.
Por que importa: a reforma e a análise de impacto exigem entender a natureza da operação; NCM sozinho é insuficiente e frequentemente ausente/ruim no SPED.
Grau de novidade: médio (regras de domínio especializadas).
Evidência técnica: ProdutoOrigemClassifier.

Inovação 4 — Prontidão fiscal como gate da simulação

Tipo: inovação de serviço consultivo + processo
O que é: motor de confronto gera pendências tipadas (ex.: sem 0200, NCM ausente, origem indefinida, integridade baixa); calcula score de prontidão (simulavel / simulavel_ressalva / nao_simulavel) e pode bloquear simulação quando a base é inadequada.
Por que importa: inverte a lógica das calculadoras comuns (“sempre calcula”) para uma lógica profissional (“só decide com qualidade mínima”).
Grau de novidade: alto no posicionamento de mercado (diferencial consultivo claro).
Evidência técnica: ConfrontoService, ConfrontoRegrasCatalog, ProntidaoService, ConfiabilidadeService, exceção de bloqueio no cálculo.

Inovação 5 — Governança consultiva (versões, auditoria, de-para, multi-filial)

Tipo: inovação organizacional/processual embutida em software
O que é: consolidação de grupo, versionamento de simulações, trilha de auditoria, mapas de-para e relatórios executivos com disclaimer.
Por que importa: escritórios precisam rastreabilidade e repetibilidade — planilha não entrega isso com segurança.
Grau de novidade: médio (padrão SaaS elevado aplicado a um domínio novo).
Evidência técnica: serviços de versão, consolidação, auditoria, de-para, relatórios.

Inovação 6 — Posicionamento de produto “consultivo”, não “apurador oficial”

Tipo: inovação mercadológica / de modelo de oferta
O que é: o produto assume papel de apoio à decisão com ressalvas, prontidão e confiabilidade — evitando competir (e falhar) como substituto de apuração legal.
Por que importa: cria espaço de mercado claro e reduz risco jurídico/reputacional.
Grau de novidade: médio–alto em clareza de posicionamento.


5.2 Ranking das inovações atuais (para a banca)

# Inovação Força para Compete Minas Comentário
1 Prontidão/confronto como gate Muito alta Melhor argumento de diferenciação não trivial
2 SPED real → simulação reforma Alta Núcleo de valor técnico
3 Transição LC 214 ano a ano Alta Complexidade regulatória + utilidade econômica
4 Classificador de origem (agro incluso) Média–alta Domínio específico; bom para MG/agro
5 Governança multi-filial/versão/auditoria Média Necessária, mas sozinha parece “SaaS maduro”
6 Posicionamento consultivo Média Ajuda na narrativa; não basta sem P&D

5.3 Inovações potenciais a desenvolver (o que justifica o fomento)

Estas são as inovações que transformam a inscrição de “produto interessante” em “projeto de PD&I financiável”.

Inovação P1 — Inteligência artificial assistida (human-in-the-loop)

O quê: modelos/sugeridores para classificação de origem, priorização de pendências, apoio a correção de cadastro/NCM, com revisão humana obrigatória.
Por quê Compete: alinha à área prioritária TIC + IA; eleva TRL; diferencia de regras estáticas.
Tipo de inovação: produto + processo (IA aplicada a dados fiscais estruturados).
Risco técnico: dados rotulados, viés, explicabilidade — mitigar com supervisão humana e métricas de acurácia.

Inovação P2 — Motor normativo parametrizável, versionado e auditável

O quê: camada em que mudanças regulatórias (alíquotas, fatores, regras) entram por configuração versionada, com testes de regressão e trilha de auditoria da premissa usada em cada simulação.
Por quê Compete: inovação de engenharia de software fiscal; reduz fragilidade diante da volatilidade normativa 2026–2033.
Tipo: processo/tecnologia de plataforma.

Inovação P3 — IBS municipal/UF avançado e modelagem de créditos na transição

O quê: aprofundar IBS por município/UF e regras de crédito/legado relevantes ao piloto (além do default simplificado).
Por quê Compete: sobe a sofisticação do método; aumenta utilidade real para empresas mineiras.
Tipo: método + produto.

Inovação P4 — Metodologia validada cientificamente (piloto MG + ICT)

O quê: protocolo de validação com SPEDs reais anonimizados, indicadores de tempo/cobertura/confiabilidade, e (Linha I) parceria com ICT-MG em Direito Tributário + Computação.
Por quê Compete: banca valoriza incremento de TRL, evidência e contribuição da ICT.
Tipo: inovação de processo de validação / transferência de conhecimento.

Inovação P5 — Propriedade intelectual e pacote metodológico transferível

O quê: registro de software, manual técnico-metodológico, catálogo formal de regras de prontidão, dataset de teste anonimizado.
Por quê Compete: materializa entregáveis; protege diferencial; gera externalidade para MG.
Tipo: resultado de PD&I / difusão.


5.4 Pacote inovador recomendado para a inscrição (síntese)

Para a proposta, tratar a inovação como sistema integrado de 4 pilares:

  1. Ingestão inteligente de SPED (já existe; aprofundar qualidade/dataset)
  2. Prontidão fiscal mensurável (já existe; ampliar catálogo e métricas)
  3. Motor de transição CBS/IBS auditável (já existe; elevar a v2 normativa/créditos/IBS)
  4. IA assistida + validação em piloto MG (a desenvolver — coração do PD&I financiado)

Esse pacote responde à pergunta da banca: “qual a inovação?” com uma resposta única e forte:

Uma plataforma consultiva que transforma SPED real em decisão confiável sobre a Reforma Tributária, combinando qualidade de dados (prontidão), método de transição (LC 214) e inteligência artificial assistida.


5.5 O que NÃO deve ser apresentado como inovação

Para evitar descrédito técnico:


6. Comparação com alternativas de mercado (por que não é trivial)

Alternativa comum Limitação Como o projeto supera
Planilha Excel Frágil, sem integridade SPED, sem governança Importação + prontidão + versões
Calculadora genérica (totais manuais) Longe da operação real Base em itens/blocos SPED
ERP de apuração Foca obrigação legal, pouco a transição consultiva 2026–2033 Foco em impacto/cenários/prontidão
Consultoria 100% manual Cara, lenta, pouco repetível Industrializa o método com software

Conclusão comparativa: a inovação não está em “ter tela de simulação”; está em encadear dados fiscais reais + qualidade + método de transição + decisão rastreável.


7. Forças, fraquezas, oportunidades e riscos (para a inscrição)

7.1 Forças

7.2 Fraquezas

7.3 Oportunidades

7.4 Riscos

Risco Impacto Mitigação
Narrativa de produto pronto Baixa nota / indeferimento conceitual Enfatizar TRL, metas PD&I, entregáveis novos
Sem sede/filial MG elegível Inelegibilidade Verificar CNPJ/filial antes de qualquer esforço
Sem indicadores mensuráveis Fraqueza em “resultados esperados” Usar hipóteses H1–H4 (tempo, cobertura, acurácia, uso)
Overclaim de IA Perda de credibilidade IA assistida + human-in-the-loop + métricas
Confusão com apuração oficial Risco jurídico/reputacional Disclaimer consultivo em todos os entregáveis

8. Hipótese central de inovação (para o plano de trabalho)

Se uma plataforma combinar (i) ingestão de SPED real, (ii) score de prontidão/confiabilidade como gate, (iii) motor de transição CBS/IBS parametrizado e (iv) IA assistida com supervisão humana, então escritórios e empresas mineiras reduzirão tempo de preparação da análise e aumentarão a confiabilidade das simulações de impacto da Reforma Tributária, elevando a maturidade tecnológica da solução de TRL 5–6 para 7–8.

Indicadores sugeridos (piloto)

ID Indicador Alvo ilustrativo
H1 Simulações liberadas com prontidão adequada ≥ 90%
H2 Redução do tempo de saneamento pré-simulação ≥ 40%
H3 Utilidade percebida da projeção 2026–2033 ≥ 80% dos usuários-piloto
H4 Acurácia do sugeridor de IA (amostra rotulada) ≥ 85% com revisão humana

9. Recomendação estratégica de inscrição

9.1 Recomendação principal

Inscrever na Chamada 011/2026, preferencialmente:

  1. Linha I – Tríplice Hélice, com ICT-MG (Direito Tributário + Ciência da Computação/IA), ou
  2. Linha II – Empresarial, se a parceria acadêmica não for viável a tempo, mantendo escopo forte de PD&I.

9.2 Objeto sugerido (uma linha)

Aperfeiçoar tecnologicamente plataforma de simulação consultiva da Reforma Tributária (CBS/IBS) baseada em SPED, com prontidão fiscal e inteligência artificial assistida, validada em piloto com organizações de Minas Gerais.

9.3 Inovações a destacar na proposta (ordem de fala)

  1. Prontidão fiscal como gate (já existe — diferencial)
  2. SPED → transição LC 214 (já existe — núcleo)
  3. IA assistida (a desenvolver — elevação tecnológica)
  4. Validação metodológica em MG / ICT (a desenvolver — rigor e impacto)
  5. Motor normativo/IBS avançado (a desenvolver — profundidade)

9.4 O que fazer nesta semana (antes de 30/07)

  1. Confirmar elegibilidade formal da empresa (MG + porte/categoria).
  2. Decidir Linha I ou II (e contatar ICT se Linha I).
  3. Congelar o pacote de inovações (atuais + P1–P5).
  4. Preencher Everest com metas/etapas/produtos (usar o rascunho já elaborado).
  5. Separar evidências: prints, fluxos, docs técnicos, SPEDs anonimizados de demonstração.

10. Resposta final às duas perguntas do usuário

10.1 Há possibilidade de inscrição?

Sim. Conceitualmente o projeto se enquadra como desenvolvimento/aperfeiçoamento de serviço inovador em TIC com potencial de competitividade para o setor produtivo mineiro. A inscrição é recomendável no cenário B/C (evolução PD&I sobre o MVP), e desaconselhável se for apenas apresentação do sistema atual sem escopo novo.

10.2 Quais seriam as inovações?

Já existentes (defensáveis agora):

  1. Simulação da reforma a partir de SPED real
  2. Motor de transição CBS/IBS (LC 214) com legado residual
  3. Classificação operacional de origem (inclui agro)
  4. Prontidão/confronto/confiabilidade como gate consultivo
  5. Governança (multi-filial, versões, auditoria, de-para)
  6. Posicionamento consultivo (não apuração oficial)

A desenvolver (fortalecem e justificam o fomento):

  1. IA assistida (classificação/priorização com humano no loop)
  2. Motor normativo versionado/auditável (regressão regulatória)
  3. IBS municipal/UF e créditos na transição (aprofundamento)
  4. Validação científica em piloto MG (+ ICT na Linha I)
  5. Pacote de PI + metodologia transferível

11. Frase-tese para pitch / banca

A inovação não é “calcular imposto”. É tornar a Reforma Tributária decidível com dados reais: importar SPED, medir se a base é confiável, projetar CBS/IBS na transição legal e — com o fomento — incorporar inteligência artificial assistida e validação operacional em Minas Gerais.


13. Glossário para a Diretoria

Termo O que significa
Reforma Tributária Mudança do sistema de impostos sobre consumo (EC 132/2023 + LC 214/2025), em transição de 2026 a 2033
CBS Contribuição sobre Bens e Serviços — novo tributo federal que substitui PIS e COFINS
IBS Imposto sobre Bens e Serviços — novo tributo estadual/municipal que substitui ICMS e ISS
SPED Arquivos digitais fiscais que as empresas já entregam ao governo (fonte de dados real da nossa plataforma)
LC 214/2025 Lei que regulamenta a CBS e o IBS e define o cronograma de transição
NCM / CFOP / CST Códigos fiscais que classificam produtos e operações nas notas/SPED
TRL “Technology Readiness Level” — escala de 1 a 9 que mede a maturidade de uma tecnologia (quanto maior, mais pronta para o mercado)
P&D / PD&I Pesquisa e Desenvolvimento / Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
IA assistida (human-in-the-loop) Inteligência artificial que sugere, mas com decisão final revisada por uma pessoa
Subvenção econômica Recurso não reembolsável (não se devolve)
Contrapartida Parcela que a empresa aporta (dinheiro ou recursos próprios) para complementar o recurso público
ICT-MG Instituição de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (universidade, instituto federal, centro de pesquisa)
Tríplice Hélice Modelo de projeto em parceria empresa + universidade/ICT + governo
Everest Sistema eletrônico da FAPEMIG onde a proposta é submetida
Prontidão fiscal Indicador (score) que diz se os dados da empresa estão bons o suficiente para simular com segurança

12. Anexos de referência


Parecer interno de apoio à decisão de inscrição. Não substitui análise jurídica de elegibilidade da empresa nem o texto oficial da chamada.